A domesticação de animais está presente na vida dos seres humanos desde os tempos mais remotos. Segundo resultados de investigações arqueológicas, esta proximidade teve inicio há mais de 500.000 anos, na era glaciar. O cão foi o primeiro animal a ser domesticado tendo demonstrado uma grande capacidade de adaptação à convivência com os humanos. Os gatos começaram a ser domesticados há mais de 5.000 anos, A. C., no Antigo Egito. Eram tratados como membros da família, inseridos no ambiente familiar, inicialmente, com o propósito de controlarem pragas de ratos dentro das casas.
Essa prática antiga ganhou novos contornos e atualmente a interação entre humanos e os animais de estimação constitui um relacionamento mutuamente benéfico e dinâmico.
Adotar um animal de estimação é um ato muito importante e responsável. A origem da palavra estimação permite-nos compreender melhor a dimensão desta decisão.

Estimação = Estima + Ação

Já alguma vez tinha pensado no porquê da atribuição do termo?
Este conceito implica que esta relação seja constituída por um sentimento de estima (gostar, ter apreço) conjugado com a ação de demonstração desse mesmo afeto.

O homem não sabe mais que os outros animais, sabe menos.
Eles sabem o que precisam saber. Nós não.
Fernando Pessoa

Porém, nem sempre nos apercebemos que ambos os intervenientes obtêm benefícios. Se por um lado os animais domesticados passam a ter um lar e alguém que os cuide, alimente e ame, está também comprovado cientificamente que esta relação afetiva exerce uma grande influência positiva na saúde e bem-estar das pessoas, proporcionando benefícios em termos de saúde física, mental e emocional.
Ter um animal de estimação exige planeamento e organização das tarefas diárias de forma a garantir que há na nossa vida espaço e tempo para estes nossos amigos. Quando decidimos levá-los para a casa assumimos um compromisso que tem de ser cumprido.
A necessidade de sair com o nosso companheiro à rua com regularidade é um incentivo à prática de atividade física, seja de maior ou menor intensidade, o que permite combater o sedentarismo, eliminação de calorias, e maior controlo do aparecimento de colesterol e da pressão arterial. Estes fatores têm um contributo relevante na facilitação da mobilidade e no combate à obesidade, doenças do foro cardíaco e regulação do stress.
Por outro lado, é notória a relevância da sua contribuição para o nosso bem-estar cognitivo e emocional. Na presença de um animal nunca nos sentimos sozinhos. Dinâmicas de interação e brincadeira com os animais elevam a produção dos níveis de serotonina e dopamina, conhecidos como os neurotransmissores da felicidade porque regulam as funções relacionadas com as emoções e os estados de humor. Assim, a produção de níveis satisfatórios destes neurotransmissores ajudam a combater a ansiedade e a depressão e proporcionam sensação de calma, tranquilidade, relaxamento e bem-estar.

O que realmente nos separa dos animais é a nossa capacidade de esperança.
José Saramago

A verificação do benefício desta relação de amizade em pessoas saudáveis é tão relevante que passou a considerar-se a sua utilização como método terapêutico de tratamento de patologias, aplicado por profissionais de saúde devidamente credenciados.
Desta experiência de troca positiva entre dois seres em ambiente terapêutico resultou a Terapia Assistida por Animais (TAA) que é uma prática de intervenção planeada, estruturada e com metas definidas. Tem por objetivo melhorar funções físicas, cognitivas, emocionais e comportamentais e o animal é catalisador e parte integrante do processo terapêutico.
Os animais são nossos amigos! Não falam, não respondem às nossas questões mas em silêncio, com um simples olhar ou um breve latir demonstram um carinho, uma lealdade e uma cumplicidade eternamente verdadeira!

Podemos julgar o coração de um homem pela forma como ele trata os animais.
Immanuel Kant



No vídeo que se segue podem ouvir a opinião do Veterinário Dr. Hugo Brancal, sobre a importância da presença dos animais na promoção do bem-estar físico e psicológico.

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