Hoje o país acorda com fotografias e palavras bonitas, todas legendadas com “Feliz Dia do Pai”. Eu acordo com a data assinalada no calendário… e com um nó no peito que já não me surpreende. Está quase a fazer um ano que partiste.
E, ainda assim, consigo imaginá-lo por cá, a encolher os ombros e a dizer qualquer coisa como “não gosto dessas coisas”. Nunca foi de datas, nem de festas, nem de prendas. Nunca foi de grandes gestos explícitos. E, no entanto… havia sempre um brilho enorme nos olhos. Ser pai era, sem dúvida, qualquer coisa de profundamente especial. Nunca o disse em voz alta, mas nós sempre o soubemos e sentimos.
Não era de abraços demorados, nem de “amo-te” dito ao ouvido. Era de presença.
E há presenças que dizem tudo, mesmo em silêncio.
Sinto a sua falta nas pequenas e nas grandes coisas. Nos dias leves e nos dias difíceis.
É estranho, quase absurdo, o tamanho que ficou de vazio e de saudade.
Já não está!
Mas hoje celebramos na mesma. Porque a sua forma discreta de amar deixou marcas que o tempo não apaga. Porque ser pai, nunca foi uma data, foi uma escolha diária, bastante silenciosa, mas constante.
Obrigada, pai!
Não por um dia, mas por todos. Por ter sido o nosso pai à sua maneira, com uma força que ainda hoje nos segura quando o chão treme.
E enquanto carrego no peito esta saudade serena de quem já não está, também celebro, com o coração cheio, quem está.
E é por isso que, depois de falar do meu pai, quero falar do pai do meu filho.
Porque há coisas que não cabem num dia marcado no calendário.
A paternidade vive nos gestos repetidos, nos silêncios que dizem tudo, nas preocupações que se adivinham antes mesmo das palavras. Olho-te, e penso nisso tantas vezes. No peso do amor, esse que fala sempre mais alto.
Preocupas-te tanto que, por vezes, parece que carregas o mundo às costas, só para que o nosso filho não tenha de o fazer.
E ele tem tanta sorte.
Tem um pai que não foge das partes difíceis. Que fica, que insiste, que corrige quando é preciso. Tem um pai com um coração maior do que a teimosia que, às vezes, o tenta esconder. Um pai que transforma preocupação em cuidado, todos os dias. Um pai que faz do peso uma âncora, daquelas que não afundam, mas que nos seguram a todos.
E isso… isso é ser PAI.

Partilhar isto:

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *