Faz um ano que tudo se tornou… em algo que não sei descrever.
Não desapareceu, não foi esquecido, mas não está aqui…
Preciso de pensar que apenas mudou de forma…
Como a água que se transforma em gelo, mas continua a ser água
Como a brasa que perde a chama, mas mantém o calor
Há dias em que a lembrança surge no silêncio da manhã, naquele intervalo quieto antes de o mundo começar a acordar, e encontro fragmentos, memórias, sentidas por vezes em alegrias e outras em tristezas.
A saudade não transforma a dor. A saudade é uma espécie de espanto, aquele espanto que surge quando percebo o quanto deixou marcas por cá, enraizadas em mim, enraizadas em nós, como uma semente que brota nos momentos em que menos esperamos, mas também nos que mais precisamos.
Não se transformou em nada… não! Transformou-se num invisível, muitas vezes incompreensível, mas que é um lugar muito maior do que qualquer lugar que os olhos possam alcançar e que as mãos tocam.
Hoje, vivemos um ano de invisibilidade, de transparência, talvez vá chorar a ausência, hoje e muitos dias mais, mas vou também reconhecer uma presença que aprendeu a existir de outro modo, mais profundo, mais quieto, mais meu.

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