A curiosidade não grita, sussurra. Temos que estar atentos para dar conta da sua presença.
É aquela inquietação leve que pergunta se existe mais, mesmo quando tudo parece estar no lugar certo.
Somos curiosos sobre o mundo, sobre as histórias alheias, sobre o que vem depois. Mas raramente voltamos esse olhar para dentro. Aceitamos os pensamentos como heranças imutáveis e as emoções como verdades derradeiras. E assim, vamos vivendo distraídos de nós próprios e passamos a acreditar que a vida acontece do lado de fora.
Mas é dentro que tudo começa. É bem cá dentro!
Nos pensamentos repetidos, nas pequenas escolhas, nos silêncios que evitamos escutar. Dependemos menos do acaso e mais da forma como interpretamos o que nos acontece, mas preferimos fingir não saber disso.
A curiosidade verdadeira pede presença.
A curiosidade pergunta sem pressa: porque me sinto assim? porque temo mudar? o que aconteceria se eu pensasse de forma diferente?
Nem sempre gostamos das respostas, e por vezes sentimos medo do que elas não nos transmitem. Por isso, continuar a perguntar e continuar a ouvir as respostas é, por si só, um ato de enorme coragem.
Talvez viver seja mesmo isso, não perder a curiosidade sobre si mesmo. E permitir que ela, a curiosidade, com delicadeza, nos conduza a uma vida um pouco mais consciente, um pouco mais interior, um pouco mais nossa.
