Desde 2013 que, em equipa, faço parte deste palco, que tenho o privilégio de acompanhar, pensar e construir a Cerimónia da Bata Branca. Ano após ano, vejo os alunos do 3.º ano de Medicina atravessarem um limiar invisível, mas profundamente transformador, o momento em que deixam os anos básicos e se aproximam da prática clínica, do contacto com o doente e do compromisso real de cuidar.

A Bata Branca não é uma festa, não é apenas um símbolo, é acima de tudo um compromisso.

Um compromisso com o conhecimento científico, sim, mas também, e sobretudo com a Ética, com o Profissionalismo e com o Humanismo que se espera destes futuros profissionais. Valores que não se aprendem apenas nos livros, mas na forma como se escuta, se respeita e se olha o outro como pessoa antes de o ver como caso clínico.

Ao longo destes anos, assisti a muitos rostos emocionados. A muitos silêncios cheios de significado. A muitos olhos brilhantes por detrás de uma bata vestida pela primeira vez com a consciência do que ela representa. Sempre vivi este momento com sentido de missão, com orgulho institucional e com a convicção de que esta cerimónia marca verdadeiramente o início da formação médica pré-graduada.

A responsabilidade desta organização realizada com emoção e satisfação, por uma equipa extraordinária, em que para além dos alunos, temos os seus familiares a assistir e a sentir a beleza do momento, existe uma enorme preocupação com agendas, listagens, presenças, discursos….

Mas esta cerimónia de 2026 foi para além de tudo isto, muito mais!

Este ano, entre os estudantes que vestem a bata, está o meu filho.

E, de repente, tudo ganha outra profundidade. As palavras responsabilidade, cuidado, humanidade, deixam de ser apenas princípios a transmitir, passam a ser desejos íntimos, quase preces silenciosas.

A Bata Branca que hoje veste não o torna médico. Mas lembra-lhe, e lembra-nos a todos, que a Medicina é, antes de tudo, uma relação humana. Que cada gesto técnico deve ser acompanhado de empatia. Que cada decisão clínica deve ser guiada por conhecimento, ética e respeito. Que o doente nunca é uma patologia, mas uma história, uma vida e uma confiança entregue.

Como organizadora, continuo a acreditar profundamente no significado desta cerimónia.

Como mãe, desejo que esta bata nunca seja apenas um uniforme, mas um lembrete diário da responsabilidade e do privilégio de cuidar do outro.

A todos desejo que sempre honrem a bata que vestem, pois ela é o símbolo do pacto silencioso que hoje assumem.

E hoje, mais do que nunca, percebo que a Cerimónia da Bata Branca não marca apenas uma transição académica. Marca um compromisso de vida.

E este ano, esse compromisso entra também na minha casa!

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