A gastronomia relaciona a arte da culinária, suas técnicas, práticas e materiais, com a cultura dos diferentes locais onde é desenvolvida. Comer é muito mais do que uma necessidade biológica, comer é também sinónimo de prazer, família, amigos, comunidade, convívio, espiritualidade, identidade e traduz-se em sentimentos, emoções e sensações.

“A cozinha é a alquimia do amor” Chef Guy de Maupassant

É comum ouvirmos dizer que cozinhar funciona como uma terapia. Analisando a analogia reconhecemos que quando nos dedicamos a este ato somos obrigados a colocar um travão na dinâmica acelerada do dia-a-dia. Um bom prato resulta de uma sequência de determinadas etapas que têm de ser respeitadas e cada uma dessas etapas necessita de um determinado tempo para ser devidamente cumprida. Assim, para obtermos um resultado satisfatório temos de permanecer atentos, concentrados e ser pacientes. A cereja no topo do bolo obtém-se através da criatividade, que pode estar presente num toque especial de aromas e sabores, numa receita inovadora ou num aspeto arrojado na decoração final. Se surge algum problema ou algo corre menos bem, é necessário encontrar uma solução, logo, temos também de colocar em prática a nossa capacidade de resolução de problemas. O conjunto de todos estes ingredientes culminará um delicioso resultado.

“Fazer um bom trabalho não leva mais tempo do que fazê-lo mal”
Chef  Paul Bocuse

A eficácia desta “terapia” passa pelo exercício da função com prazer e disponibilidade, sem pressa, com atenção e carinho, pois se entrarmos na cozinha com um sentimento de obrigação e insatisfação, o ato irá tornar-se quase como se se tratasse de uma tortura. É de extrema relevância que incorporemos na nossa rotina atividades que produzam sensações positivas e que nos alimentem emocionalmente. Cozinhar e comer devem ser experiências afetivas, criativas e sociais de relaxamento, construção e transformação, numa partilha que contribui para saciar a nossa satisfação pessoal e a nossa saúde emocional.

“Cozinhar é sorrir com aroma de felicidade” Chef Di Manno

Cozinhar e comer são atos que permitem uma panóplia de impressões sensoriais, constituem  experiências absolutas e globais que colocam em jogo todos os sentidos. Frequentemente se ouve dizer que os olhos são os primeiros a comer. Desde a escolha dos melhores ingredientes ao aspeto delicioso de um prato acabado de servir, o sentido da visão está muito presente neste processo. O som de um crocante que desperta a atenção põe ao serviço o sentido da audição. É através do tato que podemos sentir a textura, o peso, a temperatura, a consistência e a forma dos alimentos. O olfato é o sentido que permite sentir o odor agradável das iguarias e é suficiente para desencadear o salivar. Por fim, o paladar tem um papel fundamental nesta prática, a ativação das papilas gustativas permite diferenciar o doce, do salgado, do amargo, do azedo, do umami, assim como, o quente do frio. É neste momento que a explosão de cheiros e sabores nos proporciona satisfação e o prazer da saciação enlaçado nas mais diversas emoções.

Se persistir uma réstia de dúvida sobre a relação entre gastronomia e emoção basta pensarmos que a comemoração de épocas ou datas festivas é feita à mesa, com os amigos e família, e podemos também recordar as vezes que já dissemos ou ouvimos alguém dizer frases como “ a comida da minha mãe é a melhor”, “não há arroz doce como o da minha avó”…

“A cozinha é um pouco como cinema. É a emoção que conta” Chef Anne-Sophie Pic

No vídeo que se segue podem ouvir a opinião do Chef Rui Pedro Cerveira do Restaurante Casa da Esquila, sobre o efeito que a cozinha exerce sobre as emoções.

 http://www.casadaesquila.com/

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