48 anos de amanheceres,
de caminhos certos e desvios inesperados,
de sonhos cumpridos,
de outros que ficaram pelo caminho,
não por fracasso,
mas porque a vida, sábia e silenciosa,
foi escrevendo um percurso diferente.
 
Já não sou a bebé que fui,
que descobria o mundo com os olhos cheios de espanto.

Já não sou a criança,
que corria sem pensar no tempo e acreditava que os dias eram infinitos.

Já não sou a jovem,
que sonhava sem medida.

Mas não as perdi. Sou todas elas!

A bebé continua em mim,
na capacidade de me maravilhar com as pequenas coisas.

A criança permanece,
escondida entre os sorrisos espontâneos e na vontade de brincar com a vida.

E a jovem ainda caminha comigo,
teimosa e sonhadora, lembrando-me que nunca é tarde para começar de novo.

Hoje sou diferente.
O tempo mudou-me,
a vida moldou-me,
os anos ensinaram-me.

Hoje olho para trás
com menos vontade de contar conquistas
e mais vontade de agradecer.
Agradecer as pessoas que ficaram,
as que passaram,
as que ensinaram sem saber,
e até as que partiram,
deixando marcas que o tempo não apaga.

Aos quarenta e oito,
já não procuro ser perfeita,
procuro ser verdadeira.

Já não quero correr para chegar primeiro.
Quero saborear a viagem.

Talvez seja isso que a idade oferece:
não respostas, mas perspetiva.

A capacidade de perceber
que o tempo é o bem mais precioso que possuímos
e que cada dia é uma oportunidade discreta, mas magnífica.

E, se a vida me tem ensinado alguma coisa,
é que envelhecer não significa afastar-me da juventude.
Significa aproximar-me da essência.

Carregar menos peso.
Guardar mais significado.
Ter menos pressa.
E mais presença.

Por isso celebro, porque a história continua.

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