Ontem, entre sorrisos e abraços,
celebrava-se uma vida,
cem anos de caminho,
um século de histórias
que o tempo jamais apagará.

E dei por mim a pensar…
Quantas vidas cabem numa vida?
Quantos sonhos nasceram e morreram,
quantos abraços ficaram por dar,
quantas lágrimas se esconderam atrás de um sorriso,
quantas vezes foi preciso recomeçar?

Cem anos de chegadas e partidas,
de encontros, saudade e despedidas,
de um mundo que mudou tantas vezes,
enquanto a vida, em silêncio,
seguia o seu caminho.

E nós…
corremos tanto atrás do amanhã,
adiamos abraços, palavras e momentos,
como se o tempo nos pertencesse,
como se a vida pudesse esperar.

Mas a vida acontece agora.
No instante que passa,
no abraço que demora,
no sorriso inesperado,
nas pequenas coisas
que tantas vezes não vemos.

Porque a vida não se mede apenas em anos,
mas em tudo aquilo que sentimos,
no amor que damos,
nos sorrisos que deixamos,
nas memórias que semeamos
e nas marcas bonitas que ficam
no coração de quem amamos.

Chegar aos cem anos é extraordinário.
Mas fica a pergunta, em pensamentos guardados,
estaremos nós a viver verdadeiramente
os anos que nos são dados?

Que saibamos abrandar o passo,
viver cada instante com emoção,
rir mais, abraçar sem pressa,
e perdoar com o coração.

Que saibamos ver, em cada dia,
a beleza de estar presente,
pois viver não é contar os anos,
mas saborear cada momento intensamente.

Não sabemos quanto tempo temos,
nem quantos amanheceres nos esperam.
Mas podemos escolher como os vivemos,
que amor deixamos pelo caminho
e quanta vida colocamos em cada dia.

E que, quando o tempo contar a nossa história,
não conte apenas quantos anos vivemos,
mas sobretudo,
quanta vida houve em cada um deles.

Afinal, não basta acrescentar anos à vida.
É preciso acrescentar vida aos anos.

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